segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Twitter

Sobre o Twitter, assim que vi e pensei ter entendido a ferramente, imaginei: mais um incentivo ao pensamento rápido e sem lastro.

Tempos depois, li que Saramago disse algo semelhante: mais um passo da humanidade em direção ao grunido. Um retrocesso na comunicação.

Hoje entendo a ferramente e penso que não é bem assim. O Twitter não substitui a fala. Ele ocupa o lugar do grunido, que nunca deixou de existir.

Você está andando na rua e vê um conhecido do outro lado:

a) Você grita “ei” ou assobia e, após chamar a atenção do interlocutor, você inicia a comunicação: “Como vai? E a esposa? Terminou aquele trabalho...?”

b) Você começa a falar antes de chamar a atenção da pessoa.

O “ei”, “olá”, “opa”, “alô” permanece desde os tempos da caverna e está no início do processo de comunicação que estabelecemos diariamente com nossos interlocutores. Para isso serve o Twitter.

- Veja o link que achei.
- Vídeo sobre nossas pesquisas de célula-tronco.
- Antropólogo publica artigo sobre invasões de terra.

O nome não deixa dúvidas. Trata-se de um assobio: ei, psiu. Do assobio você conduz sua conversa para um ponto relevante.

Não descartemos, porém, os casos em que a conversa toda tenha seu início, meio e fim na plataforma do Twitter, presa aos 140 caracteres por etapa. O bom e velho “ou, ó o auê aí ó”, “ô, caô”, “só”, “só”, “só”, “podes crer”, “vai mudar de assunto?”

Isso, porém, não é incentivo da ferramenta. O problema é que cada um dá o que tem, mas é possível ir mais adiante, sem dúvida, e não pensar que estamos obrigados a restringir nosso pensamento e comunicação a um pequeno retângulo com limite de letras.

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